domingo, 11 de junho de 2017

"VALENTINE" : A MINHA PRIMEIRA NAMORADA !

Até eu entrar na faculdade não tinha tido uma namorada de verdade,destas que a gente ver quase todos os dias, que assume perante os amigos, família,etc. Ou seja, uma  que realmente nos diz e que confirma que  é a nossa  namorada. Naquela época também, namoradas não agiam como as de hoje. 
-Algumas namoradas de  hoje em dia  são amantes, na verdade. Hoje se confunde sexo com amor, e quase ninguém namora de verdade. As pessoas usam umas às outras. E não se confia mais nas namoradas e nos namorados. Há traições toda hora.
-Talvez, por isso, as relações entre os humanos dão mais problemas,atualmente.Algumas terminam em crimes...
O certo é que eu tinha as "amiguinhas", as interessadas, o que é normal naquela idade. E tive uma "quase" namorada quando eu tinha dezoito anos, outra aos 21. Mas, depois, por uns seis anos me dediquei a estudar, jogar bola,ir ao cinema (e fui muito, a maioria das vezes, fui sozinho).Também fui a festas,casamentos e viagens, mas sempre com uma  ou outra amiga, ou colega de escola, ou até parente...
-Mas nada sério. 
Sempre aparecia com quem ir,mas não "vingava" o namoro. Na maioria do tempo eu estava sozinho mesmo !
-Era intrigante esta minha "postura", para algumas mulheres: Eu estar sempre só! Mas, foi sempre assim que vivi grande parte de minha juventude, principalmente entre os 21 a 30 anos de idade...
Então,na época que eu estava estudando Direito, e mesmo alguns anos após formado, eu era mesmo muito solitário. E depois,como profissional do Direito,ainda fiquei mais uns cinco anos me dedicando só à profissão,e estudos de processos,etc. Inicialmente, além de fazer os trabalhos da faculdade, eu só pensava em escrever. Escrever qualquer coisa. Tinha e sentia necessidade de escrever. Escrever contos, causos, crônicas,etc.  Sempre gostei de contar estórias. E fazia isto à mão,no caderno, ou contava histórias  aos amigos ou colegas de escola. Cheguei a escrever contos à mão e pedir para que alguém o datilografasse,para eu poder publicar. E publiquei algumas crônicas e contos num jornal diário de Goiânia,também...
Mas me faltava uma "musa" inspiradora. Até que, por necessidade,ou"precisão" mesmo, talvez, me empenhei em encontrar essa musa. 
-Me empenhei  em solucionar esta necessidade.
De repente,  com a ajuda de minha irmã, a "Milia", me apareceu a "Valentine" ! Não,não foi  a "Margarida", que apareceu,mas sim, a Valentine!
 -Apareceu a VALENTINE então...
-Pronto,acabara minha procura.
Ela era baixinha, vermelhinha e magrinha. Apesar desse seu nome francês, ela era mexicana ! Mexicana mas de origem italiana. 
-Interessante não ?  
 Nome francês, ( ou é inglês ?) mas nascida,ou melhor , oriunda do México ..
- Mexicana com origem Italiana?
-Ora, vejam só, parece que meu destino era me envolver internacionalmente. 
Afinal,sempre me dei bem com estrangeiros...ou estrangeiras,principalmente. 
-Tive uma correspondente na Bolívia (a Mirna), uma colega e amiga Polaca (a Cristina),e até uma amiga francesa (era Chantal o seu nome ?) no 2º Grau ! -
-Faz tempo!
Depois que a Valentine apareceu lá em casa,além de me ajudar nos trabalhos da faculdade, ficou tudo mais fácil para mim.  Foi mais fácil até escrever os contos, as crônicas e os "ensaios" literários,que, invariavelmente, eu mandava para o Jornal " O Popular", de Goiânia e que eram publicados no "Suplemento Cultural"...
E no resto do tempo era trabalhar e estudar.. E estudei muito !
Fazendo o que eu queria, "tirei de letra",por assim dizer, o Curso de Direito.
-Me formei !
Isto mesmo, mesmo não sendo de classe média ou rica, consegui me formar. E a faculdade, era particular, como diz aquela música cantada pelo Martinho da Vila :" ...livros tão caros,muita grana para pagar,etc.etc.."
E o meu papel ?  O meu canudo de papel,foi um diretor careca mesmo que entregou o meu "papel" !
Depois foi só trabalho, e trabalho e muita luta,para me firmar na profissão, na qual fiz de tudo,ou seja,entrei em todas as áreas do direito.
-Trabalhei em escritório,firmas,estas coisas. Faço isto até hoje.  Só que agora me dou ao luxo de escolher as causas em que trabalho.
-Não sou rico, mas sou exigente comigo mesmo !
Mas não abandonei a Valentine, a vermelhinha, mexicana e baixinha. Continuei a escrever e ela me ajudou muito ainda.
Obviamente que  "apareceram" outras em minha vida. Algumas namoradas de fim de semana, de um mês, ou até três meses. Não vingaram. -
Mas Valentine foi a mais fiel, e a que permaneceu.
 E vieram outras,parecidas com ela. Uma com o nome de "Facit", que era sueca ; outra chamada "Remington", americana,(ou é Inglesa?); e até uma "IBM",esta fabricada na Inglaterra.  A Facit e a IBM já eram elétricas, sendo que a IBM  ainda uso, apesar da era dos computadores,ao qual só me adaptei uns sete anos atrás,quando comprei o meu primeiro PC.
Aí tudo ficou ainda mais fácil. Mas não dispensei a Valentine.  Ela continua aqui, agora em casa, num escritório que montei no quarto, com estrutura, dois computadores,  internet impressora etc.
Agora, tímida, a "Valentine" está aposentada,num cantinho. E ainda vermelhinha, continua com as suas "letrinhas" brancas em teclado preto. 
Ela é como um "troféu",ou uma relíquia para mim, e representa as lembranças de todas as minhas dificuldades dos últimos 25 anos.
AH! Antes que me esqueça,essa "minha primeira namorada", a Valentine,realmente foi "fabricada" no México. E ela é realmente de origem Italiana (Olivetti), e não me desfaço dela de  jeito nenhum. Está agora sendo um "enfeite",(um pouco rústico, talvez), na estante  da sala,como um bem  muito valioso para mim.
 Ela, como já perceberam os leitores, é a minha primeira "máquina de escrever" e seu nome próprio é Valentine mesmo, e assim está escrito em relevo bem na frente dela, perto do teclado. 
E quem disse que ela era minha primeira namorada foi uma colega de faculdade... Ela me disse, à época, que "Valentine's Day" era o dia dos namorados nos EUA, e em outros países, e que se comemora em 14 de fevereiro.
 -É  que São Valentino é  um santo da Igreja Católica,cuja comemoração é em  14 de fevereiro. E como eu não tinha uma namorada-mulher,minha colega dizia,após às aulas noturnas:
-"Vai para casa Antonio.Vai escrever ! Vai usar sua namorada !" E era isso que eu fazia mesmo, em muitas noites,depois das aulas. Às vezes ficava até de madrugada.... Inclusive datilografando as "matérias" que tinha aprendido naquela última aula.
-Tudo era Direito,(civil,penal,processual civil,etc).
  Quanto à ajuda para a Valentine chegar até mim, foi da Milia, minha irmã,que tinha crédito e eu comprei esta máquina no seu nome, para pagar as prestações,pois a minha  situação financeira não era das melhores. Fiquei tão contente na época que nem saí de casa no dia,para começar a usá-la.
-Como era bom "mexer" nela... Para mim,que havia vindo praticamente da roça,era uma felicidade poder escreve naquela "maquininha".
Nunca vou me esquecer da Valentine. Cheguei a fazer trabalhos da escola,para mim e para outros colegas, com ela... Fiz, petições,pesquisas escolares e até ajudei colegas se formar, fazendo, ou simplesmente datilografando as monografias e até teses de Pós-graduação para para eles.
- Sempre utilizando a Valentine.
Não faz muito tempo que ela se aposentou. Creio que até o ano de 2002 eu ainda "usava" ela.
Ela é "famosa", seu modelo teve até um "criador". Depois criaram um modelo mais "jóvem",parecendo um Notebook.
- Sempre vermelhinha.
A Valentine é uma relíquia para mim. Ao olhar para ela, lembro-me de fatos pitorescos de minha vida, dos trabalhos escolares,dos textos publicados no jornal e das muitas noites em que passamos juntos,pela madrugada. 
-Só eu  e ela e as letrinhas brancas no teclado....
 Nela fiz até poemas, e uma dedicatória à uma pretensa namorada, a Ana Maria, mas que nunca entreguei à ela . E fiz um texto que publiquei no Jornal,("Perversa Paixão") e que esta "Ana" me tomou,num determinado dia em que foi lá em casa...Faz tempo !
-Saudades da Ana! 
Esta sim,uma pretensa namorada de carne e osso, cujo romance comigo não vingou...
Foram muitos os escritos, com a Valentine. Fui muito fiel a ela, neste período. Algumas vezes,por necessidade do trabalho. E mesmo depois de formado, levava ela nas viagens. Afinal, era  uma máquina  de escrever, portátil !
Assim,sozinho,por mais 10 anos desde que ela veio para mim, Valentine foi  minha única companheira. Era eu,ela e uma folha de papel. 
E  eu, em sua companhia ,era feliz .
Hoje,neste Blog, que tem visitantes e seguidores de  vários países do mundo, a homenageio, pois foi com ela que tudo começou.
Nunca me esquecerei dos dias e noites que passei com a VALENTINE !!!
 Ela foi, de verdade, a minha primeira namorada !(*)
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(*)Parte integrante de meu Livro " O Amor Tem Muitas Faces" Publicado em 2016 pelo CLUBE DE AUTORES ,cujo site é : www.clubedeautores.com.br

A.L.G. - Reedição : 11 de junho de 2017
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