segunda-feira, 22 de maio de 2017

DUDU,DILAU E CIA ! (Lembranças e Homenagens).

Hoje dia 22 de maio de 2017, eu soube por uma amiga e prima (Ana Cristina), que faleceu em Taguatinga,D.F, a Sra. Maria José Brito de Souza,exatamente a mãe dessa minha parente,que conheço desde criança.
E com esta notícia triste me veio à lembrança uma das melhores épocas de minha vida,nos finais dos anos 60 e início dos anos 70,quando eu estava ainda na idade entre a infância e adolescência. 
Foi uma época em que toda a nossa família original(meu pai,minha mãe e meus 5 irmãos),morávamos na Praça Carlos de Freitas,na Cidade Jardim,em Goiânia,GO.
Neste local que moramos a partir de 1965,meu pai construira duas casas nos fundos de dois lotes grandes, que eram ligados um ao outro,sem muros. E o espaço era bem grande mesmo, que dava até para a gente brincar muito. Jogávamos até umas peladinhas de futebol no terreiro,de tão grande que era.
Essa era a época que meu pai trabalhava na feira,vendendo roupas feitas,de produção dele mesmo,numa confecção simples,caseira,na qual era ajudado pelos meus irmãos mais velhos, a Nita e o Jorge, a Milia, e eu também. Isto inicialmente,pois em 1966 a Nita se casou e foi morar em Guarulhos,São Paulo. 
Nestas feiras,meu pai sempre me levava,para eu ajudá-lo. E foi na feira de Vila Nova (bairro conhecido e famoso de Goiânia),que num belo domingo de sol que ele viu o Dilau. Este nome "Dilau" era o apelido do meu primo em 2º grau o Ladislau José Brito de Souza,exatamente o pai dessa minha prima Ana Cristina, e um dos filhos do "Seo Dudu". Na feira, o meu pai o reconheceu antes mesmo que o Dilau o visse. 
Dilau era o marido de D. Maria José. Ele faleceu antes dela.Salvo engano em 2012.
Ness dia da feira de Vila Nova,meu pai se chegou de mansinho por trás do Dilau e começou a cantar no ouvido dele um refrão que ambos conheciam desde criança. Este refrão cantado dizia assim:
- "Seo Dudu quebrou o cu,na ladeira de Caruaru". 
Acho que era por causa de uma queda que o pai do Dilau(Dudu) dera,em Caruaru,bem perto de onde todos nacemos.
Nem bem terminou este refrão,o Dilau se virou para ele e meio sorrindo e  ao mesmo tempo com lágrimas nos olhos gritou :
-"Nequinho,que estás fazendo aqui ? "
"Nequinho" era o apelido  pelo qual os amigos de infância conheciam meu pai,que se chamava Manoel.
O Dilau,que naquele tempo morava em Brasília,D.F era primo primeiro de meu pai e eles eram conhecidos desde infância,pois eram oriundos da mesma região de Pernambuco,onde nasceram.
Naquele domingo eles se reencontraram e eu vi tudo,pois eu ia sempre com o meu pai para a feira de Vila Nova. 
Eu estava para completar 13 anos de idade.
E meu pai que tinha uma camionete Ford-F 100, (aquelas antigas ainda feitas nos EUA),convidou-o para vir até nossa casa, mas o Dilau disse que estava de carro e com a família dele,que na época era ele,a Maria José e suas duas filhas,da época, a Ana Cristina e a Dayse .Acho que depois disso tiveram outro filho. Esta Maria José é a que eu citei na segunda linha dessa minha narrativa. 
E assim,orientados por meu pai,eles foram parar na nossa casa,onde almoçaram conosco.A meninas,filhas deles logo se "enturmaram" comigo,que era o mais novo da família naquela ocasião. E queriam brincar comigo toda hora.Para elas eu era uma criançona... Embora eu estivesse para completar 13 anos e elas tinha entre 6 e 4 anos de idade,respectivamente.
Dilau nos disse que quando saíra de Pernambuco,no começo dos anos 60 tinha ido para o Rio de Janeiro onde estudou e se tornara enfermeiro. Foi lá que ele conheceu a Maria José, que era professora,um pouco mais novo do que ele. E ele, com 30 e poucos anos de idade,tinha passado num concurso público federal e se tornara enfermeiro do STF. Por isso ganhava razoavelmente bem. Com a mudança de todos os òrgãos federais de comando,e da Justiça para Brasília,D.F, ele também se mudaram para lá.
A sua esposa,Maria José,mãe dessa minha prima que me avisou da morte dela,era uma carioca morena. Já o Dilau,que era descendente de Portugueses, tal qual meu pai,era branco,e de olhos azuis-esverdeados.
Durante uns 4 ou cinco anos seguidos, num domingo sim,noutro não,e eles iam parar lá em casa. Vinham de Brasília passear aqui em Goiânia e passavam o sábado e o domingo lá em casa. Traziam carne seca,doces, muitas frutas,melancias,etc. Outras vezes, em feriados,vinham também. Eu gostava muito destas visitas deles...
Me lembro bem que entre os anos de 1965 a 1968 eles fizeram estas visitas para nossa família. Depois, tendo em vista nossa mudança para Pernambuco,perdemos o contato com eles.
Dessas vindas deles em nossa casa, nessa época, me marcaram quatro coisas, das quais nunca me esqueci:
1- A Ana Cristina,loirinha dos olhos esverdeados, era muito apegada a mim. Ela era uma graça. E é bonitona até hoje,quando já passou dos 50 anos de idade.
2- Os carros importados que o Dilau possuía e nos quais vinha nos visitar, ou era um Austin,ou um Plymouth,ou um Oldsmobile. Ele dizia que comprava estes carros baratos,quandos os Embaixadores de outros países trocavam de carro e os vendia mais baratos.
3- A festa de aniversário que eles fizeram para mim,na minha casa,quando fiz 14 anos de idade.Me lembro bem da iniciativa de D. Maria José na feitura do bolo. Foi a única festa de aniversário que tive em minha vida. E eu quase não comemoro meu aniversário,pois nasci Dia de Finados. 
-E este não é um dia para festas mesmo.
4- A vez que ele levou eu e minha irmã Mília e as filhas dele a passear por Goiânia no seu carro conversível Oldsmobile.
Nos "separamos" nessa época, no ano de 1968. Passei 41 anos sem saber deles. Ou melhor sabia que moravam em Brasília,D.F,mas não em que lugar específico,endereço etc. Um outro parente de meu e primo deles também,nos dissera em 1984 que eles moravam em Taguatinga.D.F.  E foi só.
No ano de 2009,quando eu já tinha Internet e computador em casa,vi no site ou rede social ORKUT, a foto da Ana Cristina. E como eu gravara bem sua fisionomia quando ela era criança,logo soube que era ela. E mandei uma mensagem para ela,perguntando se ela era aquela garotinha que nos visitava em Goiânia. Ela lembrou de tudo. E nos falamos por telefone,também.Desse tempo em diante mantivemos contato. Hoje sei o endereço dela,e a adicionei ao rol de amigas no Facebook. Atualmente mantemos contato também por telefone, como Whatsapp. Em 2016 mandei dois de meus livros para ela e para a mãe dela,esta que faleceu hoje.
Já em 2010 e 2011 pude falar com ela e com o Pai dela por telefone Prometi visitiá-los,mas não fui.
E infelizmente soube hoje, através de um Grupo familiar no WhatsApp,do qual participo, e por intermédio da Ana Cristina, que a D. Maria José Brito de Souza, que essa senhora que era casada com meu primo Dilau, e mãe dessa minha amiga, falecera hoje,em Taguatinga D.F, onde morava com esta filha.
-Está no descanso eterno
-Que Deus tenha o seu espírito em um bom lugar,pois este permanece vivo.
E que todos filhos e netos de D. Maria José suportem essa perda de maneira sábia,pois todos nós vamos morrer um dia.
A.L.G.
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Edição em 22 de maio de 2017.