domingo, 20 de novembro de 2016

20 DE NOVEMBRO : DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

Neste dia 20 de novembro é o "Dia da Consciência Negra".Em verdade, não precisaria existir tal comemoração, se não houvesse preconceito. Mas,infelizmente há. No Brasil,especificamente,os negros são discriminados há muitos anos. Desde que  para cá eles foram trazidos, nos "Navios Negreiros",por imposição dos senhores feudais, para trabalhar nas lavouras de cana-de-açúcar e de café,inicialmente.
Isto porque,os índios que aqui já estavam ,não se prestaram a tal serviço,pela sua qualidade de vida livre (e os índios são preguiçosos,também,não podemos negar...).
Não fosse a discriminação que ainda existe,não precisaríamos separar um dia para defender a luta de um povo,apenas porque têm outra cor na pele. Afinal,a própria Constituição Federal de 05/10/1988,traz em seu bojo que "Todos somos iguais perante a lei,sem distinção de qualquer natureza,cor,raça,religião,etc........"..
-Mas isto está só no papel...
Há discriminação sim, e eu relato dois casos simples,para ilustrar este meu texto :
1- Quando eu estava estagiando,no Curso de Direito,me lembro que tinha de assistir Audiências no Fórum,para depois fazer os relatórios e entregar ao professor da Disciplina Prática Forense. Numa destas audiências,da área cível,havia um demanda por causa de bens,numa Ação de Cobrança,onde a autora era uma senhora rica, de classe alta,obviamente,de Goiânia,GO. 
Destas que chegam demonstrando riqueza na roupa,nas pulseiras e colares, etc. Havia tanta coisa brilhosa e pendurada que ela parecia com uma vitrine de joalheria ou até mesmo uma Árvore de Natal !.Enquanto não começava a Audiência, ela sentada,  impaciente,de cinco em cinco minutos reclamava,porque o MM.Juiz ainda não tinha chegado. E nós, os pobres estudantes, aguardávamos em pé,calados,pois era já nosso costume e obrigação agir assim.
-Não haviam cadeiras para todos.
Não demorou muito,o Juiz chegou. Salvo engano de minha parte seu nome era Dr. Joaquim e era Negro. Simples,conversador e agradável a nós alunos-estagiários, ele cumprimentou a todos. 
Assim que sentou em sua cadeira,na mesa onde estava escrito numa plaquinha "Juiz de Direito", a mulher,rica,loira e arrogante, Autora do processo, não se conteve e disse:
-"Mas o Sr. se sentou na cadeira do Juiz "!!!
O Magistrado, calmo e sério, afrouxando o nó da sua gravata,olhando bem firme para ela lhe disse:
-"Mas eu sou o Juiz,minha senhora" !
Ela ainda não gostando daquela resposta,ou por  causa de ser de descendência branca, rica, chiou cheia de soberba e ,infelizmente,sem educação, continuou: 
-"Mas o Sr.é Negro" !!!
  Ao que o MM.Juiz respondeu: 
-E a Sra. conhece alguma lei brasileira que impeça um Negro de ser Juiz ?
Ele nem esperou a resposta dela.Em seguida e até para nos orientar,que estávamos em numero de seis alunos ali na sala,para assistir a audiência, deu um "sermão" na mulher,e ainda disse que "ela estava passível de ser processada por ele,com base na Lei Afonso Arinos,por discriminação racial,ou por Injúria Racial,como está na Lei Penal vigente"... 
E continuou : "que ele se contentava em que ela lhe pedisse desculpa, por ser a mesma ignorante de conhecimentos e decerto não sabia que havia tal lei ".....
 E completou dizendo em alto e bom som,que "nós somos todos iguais,e que naquela ocasião ela estava em "posição" inferior a ele apenas porque ele era uma Autoridade...Era o Juiz do processo, e estava no âmbito de sua Jurisdição, no Fórum, exercendo sua função,etc.etc"...
A mulher ,rica, arrogante, acabou chorando, pois se sentiu humilhada diante de nós alunos e das demais pessoas que ali estavam,tal como a Escrivã e o Dr.Promotor de Justiça. Ela apenas tirou um lenço,limpou as lágrimas,  pediu desculpas ao MM.Juiz,meio sem jeito e ficou calada.
 A Audiência se realizou sem maiores problemas  e ,depois o Dr. Joaquim assinou nossas carteiras de estagiários,como era de praxe,pois seria exigida depois para comprovar o Estágio,na Faculdade,etc.

2- E numa outra situação,quando eu era professor, uma aluna,cujo nome não me esqueci até hoje,a Sirlene,e não sei se foi para brincar comigo ou para me discriminar, disse em tom de deboche,na sala de aula:
-" Professor, seu cabelo é "enroladinho" não deve ter nem"pegado"os pingos da chuva ?!!".
Realmente,estava chovendo fino e eu cheguei às pressas na sala de aula,com a camisa meio-molhada. Mas não levei esta sua pergunta pelo lado discriminatório não .Como era de costume eu brincar com os alunos , "de supetão" já lhe respondi :
- Realmente, Sirlene, meu cabelo é "enroladinho", mas lhe garanto que não são só os cabelos da cabeça não. Há lugares do meu corpo em que ele é bem mais enrolado!
-Todos entenderam o que eu quis dizer!
E já falei aqui neste blog,de minhas origens, e embora eu não seja negro, este cabelo um pouco enrolado eu herdei da minha mãe,nordestina,filha de negros...
-Meu pai,bem branco,de olhos azuis, e era filho e neto de portugueses...
-Foi uma "mistura boa" eu diria.
E graças a Deus por isso.
Quanto à minha resposta à aluna Sirlene, todos os outros alunos riram e ficou por isso mesmo.
E esta aluna ficou minha amiga até depois de eu parar de dar aulas. Foi até minha cliente depois, num processo trabalhista...
-Em que ela era a "Reclamada".
Não deveria haver este tipo de discriminação no Brasil. Mas infelizmente ainda há. Há,também, em vários lugares no Mundo.
Há casos ,nos Estádios onde se joga futebol,que as torcidas chamam um ou outro jogador de "macaco". 
Houve um caso recente em que jogaram bananas para o jogador. No caso o jogador era o Daniel Alves,que jogava no Barcelona da Espanha(agora foi para o Juventus ,de Turim,Itália) e na da Seleção Brasileira de futebol até hoje.
Ele,em plena atividade no campo,perto de onde se bate o escanteio,simplesmente comeu a banana e continuou seu jogo. Muitos aplaudiram sua conduta e decisão repentina. O caso teve repercussão mundial,na TV e nas redes sociais.
-No Trabalho ,na Escola, na Política , no Esporte... Apesar de que o Presidente da Fifa dizer que não,"vira e mexe"um jogador negro ou de origem negra é discriminado nos campos da Europa...Ou no Brasil,como ocorreu no ano de 2014 ,com o goleiro Aranha,do Santos em um jogo de futebol contra o Grêmio,em Porto Alegre.
Artistas negros nem tanto... E se eles forem ricos, escapam desta discriminação.
Porém, em alguns países, como nos Estados Unidos ,raramente você vê um branco ou branca casado(a) com negro(a).Lá a discriminação racial pela cor da pele da pessoa é muito grande ainda. Há casos em que tais discriminações causam badernas,quebra-quebra e tiroteios, quando um negro é assassinado por um branco por lá.
Conheço pessoas de minha família que são bem morenas e discriminam outros negros...
E hoje,na sociedade, egoísta, capitalista e individualista em que vivemos,os negros ricos não são discriminados,só os negros pobres.
-Agora, a discriminação é muito mais econômica do que racial...
Foi  esta a herança que a sociedade escravocrata deixou para os negros .
Alguém discrimina o Pelé?
-E o Ronaldinho Gaúcho com sua aparência peculiar, sua boca-de-lobó ?
 O Neymar, jogador do Santos, da Seleção Brasileira de Futebol e agora do Barcelona, da Espanha, tem origem negra,também...
.. . E alguém está discriminando ele, jovem ainda com muitos milhões no banco? Tem muitas louras ricas e famosas atrás dele. 
-A imprensa mundial então....
O dinheiro ainda muda o conceito ou o pre-conceito sobre as pessoas.
Hoje já temos muitos famosos que muito bem representam a Raça Negra,no Brasil.Por exemplo: Pelé,  (ex-jogador) Milton Gonçalves e Antônio Pitanga(atores),Gilberto Gil (músico,cantor e compositor),e até um Ministro, o Dr. Joaquim Barbosa,que já foi o Presidente do STF. Entre outros...
Somos todos iguais. De peles  claras , negras, amarela, parda, etc. As diferenças podem existir na fama,no dinheiro e na cultura de cada um.
-Mas no final todos nós temos apenas uma vida passageira e uma alma para poder evoluir... 
Vivamos pois, com mais  sabedoria, neste Dia da Consciência Negra !
E aos brancos de olhos azuis eu digo: vivam e deixem os  negros viverem !
-Principalmente nos Estados Unidos da América  !

A.G. - 20 de novembro de 2016  (Reedição)