quarta-feira, 8 de junho de 2016

Memórias da Caserna

Dias atrás encontrei um amigo dos tempos de "Caserna", e  me lembrei  de um fato pitoresco ocorrido quando eu estava "servindo" o Exército Brasileiro, em Goiânia, Goiás, Brasil...
Passei um ano, prestando o "serviço militar obrigatório" no 10º B.C. -(Batalhão de Caçadores), que depois se chamaria 42º BIM (Batalhão de Infantaria Motorizado). Eu tinha entre 19 e 20 anos de idade. Foi um período difícil de treinamentos e aprendizado duro, mas que tinha seus bons momentos também.
-Nós, os soldados, éramos bons companheiros.
Era a fase final da Ditadura, e o Regime Militar ainda estava no Poder.
Logo, não havia "moleza" para ninguém....Era treinamento duríssimo, campanhas, marchas e ensinamentos de guerra na selva, etc.
Eu, por causa de algumas "habilidades" ,fui incorporado ao Pelotão de Comunicação da Companhia de Comandos e Serviços, a C.C.S..  E, além dos "plantões" na Guarda e Sentinela, eu "tirava" plantões também no PBX do Quartel. Aí, neste "serviço", que atravessava a madrugada, eu ficava recebendo os telefonemas e encaminhando-os para os  demais setores, salas do quartel, e para os oficiais de plantão .Além de encaminhar telefonemas para órgãos e pessoas de fora do quartel. E fazia isto sentado,com os aparelhos na boca e ouvidos e também ouvindo música. Isto mesmo, com um radio ao lado ,eu passava a noite ouvindo músicas.
-Sempre gostei de rádio...
Num desses dias, por influência de um colega, pedi uma música no programa da emissora que estava ouvindo. E eles atenderam. Meu erro foi me identificar : Soldado Gomes -607. Este era meu "nome" e "numero" de guerra ! Alguns Sargentos e Oficiais também ouviam rádio à noite....
No outro dia, meus colegas souberam que pedi a música. E gostaram de saber. Então, por influência de um outro colega de quartel ,pedi uma música ,cujo tema era : " Eu não vou mais trabalhar, só vou criar galinhas..." Acho que eram os "Golden Boys" que cantavam essa música...
Agora meu erro foi dedicar tal música ao Sargento instrutor nosso, cujo apelido, entre nós, era "Sargento Galinha" (Nem sei porque o chamávamos assim!).. Muita gente ouviu a música no quartel e deu um problemão para mim e para meu colega. Fui repreendido em público, no B.I. do Quartel(Boletim Interno). O Próprio Sargento "Galinha" me chamou atenção.  Quase fiquei detido no final de semana. E depois, perdi a chance de ficar tirando plantões no PBX.
Mas, pela brincadeira valeu a pena....
Hoje, penso, fazer aquilo, num quartel do Exército, em plena Ditadura, foi muita coragem.
E ficou a lembrança,comigo e com outros colegas, pois já encontrei com alguns na rua, que lembraram deste episódio. Inclusive o que encontrei hoje no centro de Goiânia, que logo me reconheceu e me chamou pelo nome de Guerra:  -"Soldado GOMES" ?
-Era eu mesmo que ele chamou...
Quanto ao "Sargento Galinha", nem sei onde ele está agora. E por respeito, aos seus familiares, não mencionei aqui seu nome verdadeiro...
Ou o seu "Nome de Guerra"...
-Guerra ?
-Nunca estamos em guerra.
-Ainda bem !
A.G. -  Reedição :08 de junho de 2016.