segunda-feira, 28 de março de 2016

O DESTINO BATE À SUA PORTA ( Parte de meu 7º livro "O Amor tem Muitas Faces" - Publicado este ano pelo Clube de Autores )

Alguns dias atrás, com tempo de sobra e vasculhando meus alfarrábios, encontrei uma destas revistas "Seleções" "Readers Digest" de janeiro de 1998, e folheando-a, encontrei uma história interessante escrita pelo Ator Inglês Gene Wilder onde, em resumo, ele conta como encontrou sua segunda esposa. Foi uma obra do destino mesmo, pois foi por causa da sua insistência em recusar a fazer o filme "Cegos Surdos e Loucos"(título em português), que ele acabou por conhecer esta sua segunda "cara metade".
Conta ele que, após ter ficado viúvo ,ficou depressivo, apático, desinteressado em sua carreira.
Em suma, não mais queria fazer filmes. E estava aprendendo, se é que isso se aprende, a ficar sozinho, ou seja, a viver sozinho. 
Obviamente que, como já tinha seu "pé-de-meia", ou seja, tinha conquistado fama e dinheiro, podia se dar ao luxo de ficar um bom tempo sem trabalhar. Muitos atores fazem isto, já que quando estão trabalhando, fazendo filmes, ganham milhões de dólares.
Com ele, também, apesar de convites para filmar, a situação era esta. Estava apático, desinteressado. Era o ano de 1993.
Os produtores insistiram tanto, que por último, para lhe convencer, indicaram o parceiro no filme: seria Richard Prior, comediante igual ele, embora fosse americano. 
Como Wilder era amigo do Richard Prior, disse que ia pensar. Mesmo assim estava difícil ele aceitar fazer o filme. Por último os produtores lhe indicaram uma Assessora ,já que ele teria de saber tudo sobre os surdos e os cegos. E aí apareceu  Karen Webb, que era especialista no assunto. Com ela Wilder aprendeu os truques e como agiria fazendo "papel" de surdo.Enfim, fez o filme com o Richard Prior(este era o cego da estória) e este filme foi um sucesso ,no cinema e ainda hoje passa sempre na televisão.
 Ele relembra que teve seu primeiro encontro com ela (Karen),fora das obrigações profissionais, num restaurante italiano. Ele se lembra até da quantidade de mesas do restaurante...eram onze mesas.
Após passados uns meses depois ,ele pediu Karen em casamento, e salvo engano de minha parte, estão casados até hoje.
Conto esta história verídica para dizer que a vida é assim mesmo. Há sempre uma "mãozinha" do Destino, quando é para unir pessoas. Há casos quase impossíveis de se acreditar.
Tive uma colega de Faculdade, e que era professora,  e que namorou um homem por 16 anos. Ele era tão ciumento, que mesmo já bem "maduro",ou seja,bem mais velho que ela, ,resolveu ir para a mesma faculdade, para  a"vigiar".
 Eu o conheci pessoalmente. Ficaram noivos, mas nada de casamento.Segundo ela me dissera, ele dava a desculpa de que "cuidava" da mãe. Era um legítimo filho da mãe, dissera ela depois.
 Nos formamos, e a via sempre até uns cinco anos depois. E nada de casamento. Ela já passara dos trinta e cinco, quando foi tirar umas férias na Bahia. Conheceu um médico divorciado, namoraram e casaram-se...  E estão casados até hoje. 
-Isto eu ouvi dela mesma . Não citei o seu nome aqui, porque não fui autorizado para tal. Mas acreditem, a história é verdadeira. Ela estudou Direito comigo, na mesma sala da faculdade. Fizemos muitos "trabalhos" escolares juntos. Tenho fotos da nossa formatura, "tirada" junto com ela, que guardo até hoje.
Conheci uma outra moça, no local de trabalho, já depois de formado . Ela me dizia que era fã de um Padre tal, da Igreja tal. Eu lhe disse que os padres são "casados" com a Igreja. São celibatários, ou seja, não podem se casar. Ela me disse :
"Mas os Padres são homens também" !... E Continuava a ir na tal igreja.  Disse-me "que ia  por causa do Padre".
Depois que saí da firma, só encontrei com ela dois anos depois ...E soube que ela,por fim, se  casara com o tal padre. Obviamente  que ele abandonou a Batina, pois a Igreja Católica não permite padres casados para ministrar os "Sacramentos". Vivem juntos até hoje. Não sei se tiveram filhos...
Em outro caso, uma conhecida, irmã de um colega antigo, dos tempos do Exército, estava ficando "coroa", (trinta e dois anos),solitária, triste. Assim ficam algumas mulheres que são sozinhas. Não todas.  As suas parentes, primas e irmãs tinham se "arranjado" na vida, menos ela. Ela não mais pretendia se casar. Ou pretendia, mas achava que não tinha sorte para tal...Achava  bom ser a "titia", e vivia a brincar com os filhos das irmãs e das amigas. Comprava presentes para eles. Mas ,no fundo sabia que não eram seus filhos.E isso lhe entristecia. 
Certa vez ela me disse :
 -"Quem tem filhos tem vida...quem não tem filhos não tem vida ". Falou assim, com certa amargura na voz. E ela era bem bonita.Mas,triste ... Solitária !
Como ela tinha de sobreviver , trabalhava com uma "banquinha" de "bugingangas" perto do comércio formal, no centro da cidade. Era uma espécie de camelô, se podemos assim chamar. Tinha curso superior, mas o trabalho que tinha era este. Às vezes,me dizia ela: " que se sentia envergonhada".
-Mas todo trabalho é digno, eu lhe dizia...
 Um belo dia, um cidadão italiano, de uns 40 anos de idade, viúvo, empresário e que estava em nossa cidade para investir em uma outra empresa, passando por ali, na rua onde ela estava vendendo suas mercadorias, começou a conversar com ela,perguntou-lhe alguma coisa, apesar do sotaque dele, e ela, embora sem conhecer bem o idioma italiano, se "entendeu" muito bem com ele. Saíram juntos e foram a restaurantes,cinemas,etc. E em uma semana, ele conheceu a família dela. 
E apenas seis meses depois, ele veio ao Brasil, para se casar com ela. Já são passados uns vinte anos, e hoje têm filhos para dar-lhes alegria. 
-Atualmente ela mora na Itália .... Foi o que fiquei sabendo!
Entre outras histórias, tenho a minha própria. Em 1983, após perder meu irmão em um acidente, eu estava triste, desanimado. Inclusive da profissão para qual me formara. Eu já tivera um ano anterior de muitas dificuldades ,mas este ano de 1983,foi terrível..
-Problemas de todo tipo me apareceram.
 E veio o ano de 1984. Neste ano, entre agosto e setembro, depois de muita incerteza profissional,fui passear no Nordeste a convite de um amigo,quase parente...Ele ia com sua esposa, com seu pai e uma sobrinha.Todos conhecidos meus. Foi uma viagem de descanso, por assim dizer, pois há muito tempo eu não tirava férias. Nesta viagem fiquei 22 dias ininterruptos,viajando, passeando, entre os Estados de Ceará e Pernambuco(minha terra natal).
 Lá até apareceu umas moças "interessadas" em mim .Um parente meu dissera a elas que eu tinha ido ali para encontrar "alguém" para casar. Não era bem isso.Eu estava passeando mesmo. Embora  eu  me sentisse solitário.
-E, nesta viagem, não aconteceu nada demais. Na verdade voltei às minhas origens, inclusive onde morei antes , para descansar, passear mesmo,rever pessoas conhecidas. 
Quando voltei à Goiânia, tudo estava indo errado, e nem sei porque direito pensei em mudar de local de trabalho. Eu que sempre trabalhara no centro, fui convidado por um colega de profissão para trabalhar com ele, num bairro de Goiânia, GO (Campinas). Num escritório bem mais simples do que o escritório onde trabalhara antes.
Nesse tempo eu já estava me acostumando a viver sozinho. Me dedicava só ao trabalho. Era eu e minha mãe em casa. Já se passara sete ou oito anos desde a última namorada firme que tivera.  E  às vezes, ou muitas vezes, saía com amigas,ex- colegas de faculdade, vizinhas,etc.  
-Mas não eram namoradas.   
Porém, no novo local de trabalho, no  Escritório ao lado, onde funcionava  uma Gravadora de Discos (vinil) cujo nome de fantasia era "Sinfonia", trabalhava uma moça jovem, morena. E conversa vai, conversa vem,começamos um namoro. E assim, quase "sem querer, querendo",  conheceria  a minha "cara metade".
Ela era a Secretária desta Gravadora, tinha 21 anos de idade. E essa morena chamada  "Eunice" se interessou" por mim. Foi muito bom este período de minha vida. Muitos passeios, muito "romance" entre nós...
-Tudo mudou...
-Muito desejo e muita paixão também!
Foi em dezembro de 1984. Nós conversávamos bastante . Ficamos amigos, primeiro e depois de uns três meses, "oficializamos" o namoro. Foi no dia 31 de março de 1985, dia em  que vimos o filme "O Exterminador do Futuro" (o primeiro da série),no Cine Capri, no centro de Goiânia, GO.
-Esse  Cinema nem existe mais..
-Não dá para esquecer!
E o primeiro encontro que ela teve com minha família foi em 27 de abril de 1985, quando celebrávamos a missa de 2º ano da morte de meu irmão Jorge. Ela, que é Evangélica, mesmo assim quis ir até a Igreja Católica , onde seria realizada a missa que "encomendamos". Então ela conheceu parte da minha família.
 Inicialmente, descobrimos que nada tínhamos em comum. Tínhamos gostos, manias e opiniões bem diferentes.  Origens diferentes , religião diferente, interesses diferentes. 
Ou seja, nada em comum, a não ser a paixão que surgiu.  Dois anos depois, em 27 de março de 1987, nos casamos e estamos juntos até hoje. E continuamos não ter "muito em comum" até hoje...
Mas nos respeitamos muito, cada um com seus gostos e trabalhos bem diferentes. E estamos "trabalhando" muito para honrar um ao outro,que é mais importante do que respeitar...
 Nossa vida,obviamente, não é um "mar- de- rosas".  Mas, foi com essa "mãozinha " do destino que nos conhecemos. Temos três filhos, e enfrentamos as belezas e as  dificuldades da vida juntos.
- Valeu a pena... Sempre "vale a pena, se a alma não é pequena"...
Não sei se o destino "bateu" à minha porta ou fui eu ao encontro dele...
-Seria fatalidade, como disse o Gene Wilder ?
 Ele fala em seu texto que se tornou um "fatalista."
O que sei é que há sempre uma "força estranha", ou uma mão desconhecida (Destino ?) a nos empurrar, ou que concorre  para mudar as nossas vidas.
Tal qual  o Gene Wilder, devemos sentir quando o destino bate à nossa porta. 
-Pode ser  a tal Felicidade...
Eu poderia dizer :
-"É claro que o amor não é tudo, mas por ele, eu seria capaz de escrever um poema qualquer de doze horas"
Logo eu, que pensava em ser poeta, ou escritor, desde os bancos do 2º Grau...
O que sei é que a pessoa apaixonada, fica contente, sorri fácil e é capaz até de tomar banho com a roupa que está vestida.
Vê a lua brilhar no meio dia e sonha com as estrelas...
-Seria isto a  tal felicidade ?
 Ou a felicidade "é uma hora feliz, sempre adiada, e que nunca chega nunca em toda vida", como disse o Poeta?
 Há casos em que os(as) apaixonados (as) dormem até debaixo da cama... 
Mesmo que seja passageira, a felicidade aparece de vez em quando em nossas vidas, mesmo que em "pequenas gotas"...
Creio que não é possível, nesta vida terrena,uma felicidade plena, completa, diária, ano após ano. Mas há,por certo, bons momentos na vida..
-Haveria apenas momentos felizes?
O que sei é que os apaixonados sempre são pessoas alegres, "que se pegam cantando,sem mais nem porque..."
Ou sai por aí assobiando e cantando na chuva  dizendo assim : "I'm happy again...I'm happy and sing in the rain" ,tal qual Gene Kelly naquele antigo filme "Cantando na Chuva".

A.G.  -Reedição 28/03/2016.