sexta-feira, 18 de março de 2011

A GRANDE CIDADE :Uma visão sociológica

Ainda dentro do tema "Meio Ambiente" e fazendo uma simples análise sobre a vida no Planeta em que vivemos,estou aqui dando minha opinião sobre a vida nas Grandes Cidades nos últimos anos. Especificamente da cidade na qual vivo. Uma Capital nova,que nem completou 80 anos de sua fundação.
 Falo com propriedade,pois vivo há mais de trinta anos nesta Grande Cidade,projetada inicialmente para 50 mil habitantes e hoje uma Metrópole com mais de um milhão e duzentos mil  habitantes.
Moro em Goiânia, Capital do Estado de Goiás,considerada uma das  cidades mais bonitas do Brasil e ainda boa para se viver.É arborizada,tem clima quente,na maioria dos meses do ano e um comércio e prestação de serviço atuantes. Não temos muitas indústrias ainda,no perímetro urbano.
Diria que é uma Capital moderna,em comparação com outras Capitais do Brasil.
Porém,como a maioria das grandes cidades,nos últimos 20 anos o crescimento tem sido desordenado,com bairros e mais bairros se espalhando por todo lado,muitos ainda sem infra-estrutura. Distantes do centro e com ônibus que demoram e  superlotados,motoristas sem educação,etc.....
Em contraposição à arborização e malha viária definida para o centro da cidade, já são comuns os congestionamentos em vários pontos .Na minha opinião tem gente demais num mesmo lugar e na mesma hora. Inclusive,comentando isto com um senhor do interior,ele me disse que a solução era simples: "Tem gente demais aqui" -disse ele.... E completou : "O ideal seria mandar muita gente embora da cidade para outras menores,ou para a roça mesmo. Pois muitos vem de lá,para procurar melhora aqui e "incham" a Capital . Querem viver aqui de qualquer jeito,sem casa,sem emprego" .
 E digo eu.- mandar gente embora daqui ?
- O problema não é tão simples assim... E é direito da pessoa querer progredir,crescer..Não é proibido sonhar e querer o melhor para a vida !
Pensando assim,para aqui vieram os construtores de Brasília: os "candangos",no início dos anos 60.
 E muitos outros nordestinos,que atraídos pelo "crescimento" da Capital,viram uma possibilidade de melhora de vida para eles,desde então. Nos últimos anos são os Paraenses, Maranhenses,Tocantinenses e Matogrossenses que estão vindo para cá,em busca de "melhores" dias. Agora para trabalhar na construção de prédios.
 Mas a vida não é fácil,pois não há emprego para todos e há muitas exigências do mercado de trabalho,pedindo cada vez mais uma mão-de-obra qualificada.O que muitos não tem. E muitos voltam,por não terem perspectivas e condições de permanecer aqui. Mas os que ficam,querem viver de qualquer jeito...e começam aí as dificuldades. Muitos,sem chances e na luta pela sobrevivência viram catadores de papel,ou enveredam pelo mundo do crime...
Como a mídia influencia e todos querem ter bens de consumo,muitos  compram veículos:carros e motos. Mas não possuem casas. Assim,a cidade está se "abarrotando" de carros e motos .Não há mais espaço nas ruas. Os congestionamentos são inevitáveis. Parece que todos saem às ruas na mesma hora.Isto sem falar nos horários de "pico",em que são inevitáveis as batidas piorando mais ainda o trânsito.Há tantos carros, que estes estão tomando os espaços das calçadas,seja no centro ou nos bairros.O tumulto é geral.
Assim,a cidade ,que poderia ser uma das melhores para se viver,está se igualando a outras do porte de Salvador,Belo Horizonte,São Paulo e Rio de Janeiro,com criminalidade alta,custo de vida idem,e a correria do dia a dia,tirando de nós o título de "melhor Capital para se viver"!
 Aumentou assim  a poluição,os acidentes,os assaltos,os trombadinhas nos ônibus e nos terminais, e os ladrões nas portas dos Bancos. Ou seja,perdemos a tranquilidade dos anos 70 e 80,em que saíamos às ruas e podíamos caminhar nas calçadas,fazer serenatas à noite..
 Hoje não há mais cinemas fora dos Shoppings,por causa da falta de segurança. Não se pode mais fazer serenatas,sob pena de ter o violão roubado ! Ou ter o carro roubado em qualquer lugar da cidade.
Acabou o romantismo e a tranquilidade. Vivemos com medo. E como diz o poeta-escritor Goiano,Gabriel Nascente, "É preciso saber que as calçadas são travesseiros do povo...os muros estão carimbados de medo" e num outro poema ele diz "vivemos numa terra de homens agachados" ! "O Homem está só...o medo cresce!"
 O progresso a todo custo tirou a "alma" da cidade. Tudo é vazio e perigoso à noite. De dia ou de noite são os bandidos que estão proliferando.É a droga,o tráfico e a prostituição aumentando. Bem perto de nós!
É uma pena,pois quando aqui cheguei,pequeno ainda,via a cidade como um paraíso.Tive oportunidade de crescer aqui,brincar nas ruas,caçar passarinhos,jogar bola,empinar pipas,ir pescar no riacho perto de casa !
Infelizmente não se pode fazer isto  mais. O homem está trancado em casa e os bandidos ,traficantes e drogados nas ruas.Não é só aqui. Este é um problema comum às Grandes Cidades...
"A Cidade Grande circunstanciada,amorfa em seus limites,
 Não sabe do sono ou vigília de seus habitantes...
Não sabe da erva queimada,puxada no peito
Não sabe do fato, do  feto desfeito,
Não sabe o momento, do esquecimento..,
Não sabe do assalto, do crime,do ato
Ou  do corpo caindo do alto,
De seus edifícios de ferro e cimento...
E num outro dia,radiante e sem temores...
A Cidade assim postada, e de sol inundada,
nos ensina o caminho para a Bolsa de Valores" (C.B.)
ALG 18 de março de 2011