quinta-feira, 22 de junho de 2017

"Romaria" - Walter José (Trindade - Goiás)- Romaria começa neste dia 23 de junho de 2017.

A DEVOÇÃO AO "DIVINO PAI ETERNO" NA CIDADE DE TRINDADE - ESTADO DE GOIÁS- BRASIL

A FESTA

Em primeiro lugar, vale dizer que a Cidade de TRINDADE, GO, fica a apenas 18 quilômetros de Goiânia, (trevo a trevo),mas que com o crescimento da Capital,praticamente Trindade já faz parte do aglomerado urbano de nossa Metrópole que é a Capital do Estado de Goiás. 
Todos os anos,no final de junho e começo de julho acontece a chamada "Festa de Trindade", com duração  média de 10 dias.
  Embora a peregrinação dos romeiros comece bem antes e continue depois do dia final . Aliás, há peregrinação à Cidade de Trindade durante todo o ano. São muitos os brasileiros,de vários cantos do país,que visitam Trindade. Também pessoas de outros países visitam esta importante cidade de turismo religioso. O principal foco são as missas,as solenidades de oração e devoção ao Divino Pai Eterno(DEUS).
Mas há toda uma festividade paralela: de feiras,com barraquinhas,desfile de carros de bois,etc. Na maioria dos anos ocorrem shows com cantores  sertanejos e outras atrações,porém,a partir do ano passado a festa esteve voltada mais para os rituais de fé da religião católica. 
Mas há locais específicos para shows de artistas,principalmente sertanejos e cantores religiosos.
Todos os dias tem várias missas, celebrações, e novenas realizadas nas Igrejas e na Basílica de Trindade,GO. 
A maioria delas é transmitida pela TV e pelo Rádio (Rede Vida,TV Anhanguera,TBC-Cultura,GO, e pela Rede Aparecida /PUC-TV-GO e também pela Rádio Difusora de Goiânia(AM) e pela RádioVox Patris (FM).

 A DEVOÇÃO :  

"Tudo começou com um medalhão"


A DEVOÇÃO AO DIVINO PAI ETERNO teve inicio na fé simples do povo sertanejo. A evolução histórica dessa devoção é o testemunho ocular de que Deus se revela de modo especial a partir do pobre,do humilde. Mas não se deve entender aqui a pobreza material.Diz-se da humildade do coração... No cotidiano da agricultura, na sucessão dos dias na roça,na fala coloquial e simples do campesino, reconhecemos a presença amorosa do Pai Celestial, que acampou eternamente nas terras goianas.

Em 1840, um pequeno medalhão de barro foi encontrado pelo casal Ana Rosa Oliveira e Constantino Xavier Maia,quando ambos lavravam a terra  para cultivo. De imediato,contemplaram a imagem em alto-relevo da Santíssima Trindade coroando Maria (a mãe de Jesus),e perceberam uma pequena fenda no canto em que a enxada bateu. Logo após, o achado foi levado para a casa deles, onde a família começou rezar o terço e a fazer novenas em torno do medalhão. A noticia se espalhou em questão de pouco tempo.Rapidamente, os vizinhos foram se unindo àquele circulo de fé e oração,que conta hoje com 173 anos de história!
A casa da família de Constantino foi o primeiro Santuário do Divino Pai Eterno.No entanto,com o aumento do número de devotos,foi construída, em 1843,uma pequena capela coberta com folhas de buriti. Mesmo assim o espaço ainda era pequeno para o contingente que vinha de longe,no intuito de conhecer a devoção. Justamente por isso, o próprio casal doou um pedaço de terra, às margens do córrego Barro Preto,edificando assim uma nova capela. Ao mesmo tempo,Constantino seguiu para a cidade de Pirenópolis(GO),e lá se encontrou com o artista plástico VEIGA VALE, o qual esculpiu,em tamanho maior, a imagem em madeira cozida, que está em veneração até os dias atuais.
Na imagem está contido o Deus da Revelação  Cristã. Trata-se da experiência mais bela e fecunda da fé, pois "Nele vivemos, nos movemos e existimos"(Atos 17,28). Na Santíssima Trindade, confirmamos a nossa identidade de filhos,somos gerados no Amor e integrados no Mistério que nos comunica. Seu próprio ser, testemunhando-O, no cotidiano da existência. Aqui está o sentido da devoção!
Surgiu assim,a partir daí, a importância dessa imagem que é venerada até hoje em Trindade, GO : Com o PAI, (Representa Deus) ; o FILHO (Representa Jesus);  a POMBA (Representa  o ESPÍRITO SANTO, conforme nos diz o Evangelho) ,Coroando solenemente a VIRGEM MARIA ( a Mãe de Jesus).
Conhecemos o rosto de Deus por meio da vida histórica de Jesus de Nazaré. Graças à Sua ação, podemos afirmar que não fomos abandonados à sorte da história, nem somos órfãos de paternidade. 
Existe um Deus que nos ama, nos salva e nos cria na incondicionalidade do Amor. 
Por mais que imaginemos estar desamparados economicamente, solitários no curso da vida ou esquecidos por aqueles que amamos, a Escritura nos afirma: " Por acaso uma mulher se esquece da sua criancinha de peito? Não se compadecerá ela do filho do seu ventre ? Ainda que as mulheres se esquecessem,eu não me esqueceria de ti.Eis que te gravei na palma da mão" (Is 49,15-16a).
Por amor, o Pai Eterno planificou a nossa vida quando inseriu nela o seu Filho amado. Portanto, unidos à pessoa de Jesus conduzamos nossa vida com a dignidade que ela merece.Demos testemunho Daquele no qual cremos, não somente por palavras,mas com atitudes concretas. Ninguém irá crer sem ver nossas obras. 
Se não fazemos  diferença, assumindo a evangelização e sinalizando a vida para Deus,há algum distanciamento do Evangelho que professamos. 
Fé e prática são dois lados de uma mesma moeda.
Não deixemos de conceder o testemunho do Pai,no tempo presente,pois Ele já está dando testemunho de nós há muito tempo. Assim,quando chegarmos ao término dessa existência terrena e partirmos rumo à Fonte de nossa vida,que é Deus,seguiremos com a consciência do dever cumprido, sem obrigações, mas por escolha livre e responsável ! 
-É para isso que somos filhos e devotos do Pai Eterno!

 OS SANTUÁRIOS E  A BASÍLICA NOVA 

A imagem original,de madeira cozida,citada acima,feita pelo famoso artista plástico goiano Veiga Vale,pode ser vista ainda hoje no Santuário Velho, (Construído em 1912) também conhecida como Igreja Matriz de Trindade .  
Esta foi a primeira Igreja em Trindade, sob a responsabilidade dos Padres Redentoristas, que embora já estivessem em Goiás desde 1894,(Sediados na Campininha das Flores), só  a partir de  1895 foram rezar missas na região da atual Cidade de Trindade, e construíram esta primeira Igreja... 
Mas somente a partir de 1924 os Redentoristas fixaram residência  também em Trindade GO.
Depois foi construído o Santuário Novo, (1974) que se tornou "Basílica" em 18/11/2006,  por determinação da Cúpula da Igreja Católica, em Roma. Este Santuário é que está agora pronto para receber a Romaria e todos os Peregrinos que irão à Festa....
E em 2011,foi lançada a pedra fundamental da nova Basílica de Trindade, GO. E em 2012  é  iniciada pelo Padre Robson de Oliveira,na época o Reitor da  Basílica de Trindade, a construção da NOVA BASÍLICA que deverá ser a maior do País,para abrigar até mais de dez mil pessoas.
 Todo o Povo Católico,de Goiás e do Brasil está contribuindo para a viabilização desse projeto, através de doações espontâneas e contribuições mensais dos membros e filiados da AFIPE-Associação dos Filhos e Filhas do Pai Eterno,do qual eu também sou membro.
A Fé, a Devoção ao Pai Eterno e a Peregrinação à Cidade de Trindade ,  Estado de Goiás,  tem crescido muito e atravessado fronteiras...
 E para cá tem sempre vindo gente de todo o Brasil e até do Exterior.
Vamos à Trindade então,mais uma vez !
Vamos colaborar também,para a construção do novo Santuário-Basílica,em Trindade Goiás.
NESTE ANO DE 2017 A FESTA SERÁ ENTRE OS DIAS 23 DE JUNHO E O DIA 02 DE JULHO !

Filie-se à AFIPE pelo Fone (62)3506-9800.

E no site www.paieterno.com.br
................................................................
Pesquisa, compilação e texto final : A.L.G. (Fonte: AFIPE/GO 
Caixa Postal 28 -CEP 74.001-970,Goiânia,GO)
Goiânia,GO,  Reedição : 22  de junho de 2017

terça-feira, 20 de junho de 2017

"Os Romanov: Uma Família Imperial" (Legendado em Português ) - Ano de Produção:2000

QUEM ERA "LETÍCIA" ?

Cláudio e Edivânia formam um casal moderno... 
Ele com 40 anos de idade e ela com 35. Quinze anos de casados e sem filhos. Moravam em um bom apartamento no centro da cidade. Saíam muito.Carlos tinha um pequeno comércio e Edivânia era dona de casa, e vendia estes produtos de beleza conhecidos, apenas para poder ter uma outra atividade. Ela tinha o carro dela e dependia pouco do Carlos nestas vendas...
Mas, eles iam muito a festas,teatros,cinema e futebol,no carro de Carlos. Não havia tempo ruim para eles.
Carlos trabalhava muito,mas aproveitavam a vida,por assim dizer. Só faltava ter filhos.Mas a mulher não podia ter filhos.
E num belo dia de outubro do ano de 2015,resolveram ir ver um filme no Shopping ,que fica anexo à grande Rodoviária da cidade.
Eles procuravam nos jornais e marcavam qual filme iriam ver. E neste dia, o filme que queriam ver só estava sendo exibido naquele cinema. E viram. Com direito a pipoca, refrigerante e tudo mais.
Depois saíram e foram ver as vitrines das lojas do shopping onde também fica o Cinema e muitas lojas bonitas, que mostram todas as novidades e coisas para se comprar. 
Ficaram muito tempo por ali. Tomaram um sorvete comeram alguma coisa e depois,lá pelas 11 horas da noite saíram rumo ao veículo do casal,que ficara estacionado por perto.
Eles viviam sempre assim: trabalhando e se divertindo juntos,como se fossem dois namorados. Eram muito unidos mesmo. Como se poderia dizer,cada um tinha encontrado sua alma gêmea...Pelo menos parecia.
-Seria o casal perfeito ?
E ao saírem do Shopping naquela noite,indo de encontro ao carro,que estava estacionado, se depararam com uma jovem moça,de no máximo uns 18 anos de idade, que perambulava por alí,como se estivesse desorientada,e falando palavras sem nexo. Estava ainda pintada,com pouca roupa,e um cheiro de álcool muito grande,que dava para sentir de longe. E tal comportamento chamou àtenção do casal,que se aproximou dela.Ela não era uma "moradora de rua",por assim. Era muito bonita, limpinha. Bem diferente destas pessoas mal-tratadas e sofridas que ficam  nas calçadas da vida... 
Tentaram conversar com ela ,perguntaram de onde era,porque estava alí daquele jeito,mas a moça só balbuciava algumas palavras sem nexo,como se estivesse alcoolizada e dopada.Como se tivesse consumido drogas mesmo.
Perguntaram se ela tinha celular,se ela sabia onde morava, se podia dizer  o nome de alguém da família,para que eles entrassem em contato,essas coisas.Mas ela nada disse de forma compreensiva..
As outras pessoas que viram a moça ali apenas achavam que ela estava esperando alguém. Como é comum por perto das Rodoviárias,mesmo do lado de fora. E ali é sempre muito movimentado,com táxis ,carros e gente caminhando de um lado para o outro. Só que era tarde,estava frio e a moça estava muito estranha...sozinha,sem lenço e sem documento.
Carlos e Edivânia resolveram levar a moça para o carro deles. Ela estava cambaleando,andando com dificuldades, em cima daqueles sapatos de salto alto...
O Carlos que era mais ativo para estas questões,pensou em comunicar à Polícia. Só que a moça que encontraram não tinha documentos,e estava com pouca roupa (uma pequena a apertada blusa colorida e uma saia bem curta), e poderia comprometer eles. Eles temiam sobre o que a moça poderia dizer depois na Delegacia, nesta ou e em outra ocasião, quando se recuperasse. Ela poderia acusá-los de alguma coisa,pois com a confusão mental em que estava,tudo poderia acontecer. 
Então Carlos combinou com a esposa de levá-la para casa. Afinal eles eram um casal sem filhos e tinham um quarto extra com cama arrumada para alguma visita. Edivânia,com atitude normal de mulher nestas horas,viu aquela moça tão jovem, sozinha, bonita e naquela situação,como se fosse uma filha precisando de ajuda. Uma filha que ela nunca tivera !
E "tombou" a cabeça dela em seu colo no banco de trás do carro,tratando-a com carinho,a ponto da moça adormecer em seus braços,dentro do carro. 
E assim foram para casa.
A moça,que não sabia dizer o nome dela para o casal naquela noite de domingo, dormiu até a segunda-feira dez da manhã. E acordou ainda sonolenta ,porém ainda muito confusa. E depois de tomar um banho e vestir umas roupas da Edivânia ,das que serviram para ela,foi tomar um café com o casal. Como Carlos estava curioso sobre a moça,esperou esta hora deste "café" ,um pouco mais tarde, da manhã  de segunda-feira. Afinal ele precisava saber alguma coisa mais sobre  ela,que iria ficar com sua esposa dentro do apartamento.
A estranha moça tinha uma pequena pulseira dourada no pulso onde se lia um nome gravado : "Letícia" ! Este deveria ser o seu nome.
Perguntada, a moça disse que este deveria ser mesmo o nome dela.E que só lembrava que viera de uma outra cidade  do interior visitar uma amiga,cujo nome não se lembrava agora,nem onde morava,com quem foi até um Show em uma boate. E foi lá conheceu um rapaz que deu muita bebida para ela, e a levou para um motel onde deu ainda mais drogas para ela usar.Ela já havia bebido em festas,mas nunca tinha usado drogas antes. E disse que mesmo meio drogada não se sujeitou a se envolver sexualmente com o rapaz, que insistiu com ela durante toda a noite. Este depois de tentar agredi-la no motel,saiu com ela no sábado à noite pela cidade,levou ela para um lugar estranho onde ela ficou numa cama,adormeceu. Mas não sabia dizer onde fica esta casa. 
E disse ainda que o rapaz  a agrediu nesta casa,  e  depois a  deixou na rua,na tardezinha do domingo,perto da Rodoviária,sem lhe entregar a sua bolsa com documentos,celular e algum dinheiro que tinha. Era só o que ela lembrava. Talvez ela tenha perdido os documentos também,não se lembrava direito.Continuava confusa.
Deu sorte,pois muitas outras mulheres,na situação dela,são mortas. Mas,ela tinha apenas umas marcas nos braços, uns arranhões,como se tivesse sido segurada,com muita força. 

E foi assim que ela estava ali perto de onde o casal a encontrara.
Decerto ela tinha planos de voltar para sua cidade,mas estava sem dinheiro e sem documentos, e totalmente "grogue",tonta e com amnésia,por vezes sentada no chão,hora  caminhando por alí,por perto da Rodoviária,onde também se situa o Shopping onde o casal tinha ido ver o filme. 
-Foi o que deduziu o Carlos e a Edivânia também...
E  eles,desse dia em diante, passaram a tratar "Letícia" como se fosse uma filha.Uma filha que não tinham. Davam todos os mimos para ela,compravam roupas e estavam até pensando em pôr ela para trabalhar no comércio do Carlos. Mas a mulher tinha ciúmes do marido,que no entanto,até então não tinha "passado dos limites" no tratamento com a moça E ela era bem bonita,com seus cabelos louros encaracolados olhos verdes e semblante bem jovem.
Havia um porém ainda. Após passados alguns dias,Letícia não se lembrava da Cidade de onde viera e também não quis ir com o casal até uma Delegacia fazer uma ocorrência e tentar tirar outros documentos. Além disso ela estava se acostumando ali,com o casal, e não falava em ir embora. Para o Carlos estava tudo bem. Porém, a Edivânia,apesar de gostar da companhia diária da moça,tinha muito ciúmes do marido. Era só ele chegar e ela ficava vigiando os passos dele,  se ele estava olhando demais para a moça...essa coisas do ciúme feminino.
Quando saíam na rua diziam que era um prima da Edivânia,que viera do interior.
O tempo foi passando e Edivânia já pensava em arrumar um emprego para Letícia. Dizia para ela voltar a estudar ,etc.
Os dias passaram depressa. Chegou março,abril,maio e chegou junho. A moça de pouca conversa falava em ir embora,só que não falava para onde.  Dizia que realmente não se lembrava de onde viera. E não apareceu notícias do desaparecimento dela na TV.
Acostumado com ela ali,o casal não queria que ela fosse embora. Diziam que ela precisava de documentos.
Preocupado,Carlos procurou um amigo advogado para aconselhar-se daquela situação. O amigo lhe disse que era complicado até ele ir na Delegacia,pois poderia ser entendida aquela situação com "cárcere privado",e eles não tinham o endereço, o nome completo ou mais informações da moça,etc. 
E a Letícia não iria saber dizer muita coisa na Polícia,pois continuava confusa.
Assim preferiram "dar mais um tempo" ,como se diz.
E o mês de junho de 2016 passou ainda assim,nesta mesma situação: Letícia na casa deles,ficava sendo "cobaia" dos produtos que a mulher vendia. Ela conversava pouco,dormia muito.E ia nos locais onde a Edivânia ia. Até na Igreja ! E ajudava nas tarefes domésticas.
Letícia sempre calada,pensativa, e esquecida.
E ficava sempre em casa. Só saia com a Edivânia. Não falava com mais ninguém,não namorou com ninguém durante todo o tempo em que esteve no apartamento do casal aqui citado.
Edivânia tinha se apegado tanto a esta moça que a via como uma filha mesmo. Dava muitos conselhos para ela. Letícia só ouvia,não discordava de nada.
Enfim,para encurtar a história,chegou o mês de julho,as férias que muita gente tira. E o Carlos ia fazer uma pescaria longe,na qual a Edivânia não queria ir. E não foi mesmo.

Ele saiu lá pelo dia 10 de julho dizendo que voltaria até o dia 20.Foi longe,para uma região onde tinha parentes que têm fazenda. E neste meio tempo Edivânia foi para casa de sua mãe, que morava em um sítio ,em outra cidade. Foi com Letícia.Lá contou toda esta história para sua mãe, que a aconselhou a procurar uma Delegacia.
Sua mãe,mais experiente, lhe disse para ter cuidado,pois a moça poderia denunciar Edivânia,como se esta estivesse usando-a como uma empregada doméstica sem salário, quando acabasse este período de "esquecimento".
Dia 21 de julho, uma quinta-feira estavam todos em casa de novo. No apartamento bem aconchegante de Carlos e Edivânia.
E no dia 23,sábado, Edivânia foi fazer compras na feira. Era uma das poucas vezes em que a Edivânia não saiu com a Letícia, esta ficou sozinha. Ela gostava de ouvir rádio e "arrumar" o apartamento.
E foi neste dia que Carlos chegou e "pegou" a Letícia telefonando para alguém,usando o telefone fixo,que tinha uma extensão até o quarto. Assim que a viu falando ao telefone,com certa desenvoltura,ficou meio sem graça,mas nada perguntou. E saiu até o corredor do  prédio e ligou no celular da esposa,sem Letícia ouvir. Contou este fato.
-Comentaram tal situação.
E no dia 24,Carlos saiu cedo. Ia para um futebol socyte, num local perto de onde morava. Edivânia,que era cristã praticante,dessa vez foi à Igreja sozinha,pois ia ter uma reunião após o culto e pediu para Letícia fazer o almoço. Ela já tinha feito isto antes.
Depois da Igreja Edivânia foi comprar algumas coisas no Supermercado. 
Chegou às 11:30 horas. E dessa vez não encontrou Letícia em casa.Nem almoço pronto,nem nada. Do apartamento nada foi levado. Apenas as roupas que a Edivânia tinha comprado e dado para a Letícia não estavam mais no guarda-roupa.
Imediatamente ela ligou para o marido Carlos,que estava se trocando no vestiário do campinho de futebol,se preparando para beber com a turma. Ele ficou bem assustado. Voltou depressa para casa,dispensou a "cervejinha com os amigos".
Saíram os dois e procuraram por todos os locais onde eles já tinham ido com Letícia. Na feira,na padaria,e nos vizinhos. Nada dela. Nenhuma notícia dela.
Falou com o Síndico,viu as gravações das câmeras do prédio. E viram Letícia saindo pelo corredor,e no elevador. Ela estava apenas com uma sacola grande e as roupas simples.As mesmas que ela estava no mesmo dia que a encontraram.
Saiu pela portaria a pé,virou a esquina e sumiu.
Até hoje não mais apareceu.
E nem Carlos,nem Edivânia tiveram coragem de contar toda esta história na Delegacia.
E agora, passados sete meses desde o dia que encontraram Letícia,eles não tinham o nome completo dela.Não sabiam de onde ela veio. Não podiam dar queixa dela,pois ela  em nada prejudicou eles.
-Será que ela se aproveitou de toda a situação para ficar na casa deles por um tempo ?
Contaram esta história para este simples escriba,que agora repasso aos nobre leitores.
De onde veio Letícia ?
Para onde foi Letícia?
E reforço estas perguntas,com outras perguntas:
-Quem era esta "estranha" Letícia ?
Tão meiga,tão pura,tão calma..
-Que mal tão grande ela sofria em sua Alma ?

........................................
P.S. História com base em fatos reais.  Os nomes das personagens foram trocados,para resguardar suas intimidades .

OBS.. Este conto será parte integrante de meu livro "Crônicas da Vida Real" a ser publicado em  Julho de 2017.
Texto Original de : Antônio L. Gomes
 Reedição: 20 de junho de 2017.









domingo, 18 de junho de 2017

VIDA MALVADA

Quem já militou ou milita na advocacia criminal,foi ou é Juiz, Promotor,e até mesmo escrivão,sabe que no Interrogatório do  Réu, num processo criminal, há um questionário com 08 perguntas básicas ,que são comuns a todos os processos,ou seja, são as mesmas para todos os réus. . Muitos juízes ficam "preso" ao texto e outros  ,mais maleáveis , fazem outras perguntas,sempre dentro do mesmo contexto.
Atualmente,por força da  lei 11.719 de 2008, o Interrogatório já é na fase de Instrução e Julgamento. Logo, já ocorreu o Inquérito, a Denuncia e o Réu já tem um advogado,pois mesmo se não puder pagar,o Juiz nomeia-lhe um dativo. Vou contar uma situação embaraçosa,ou engraçada, se quiser,que pude presenciar,numa dessas Audiências.
Mas antes, é preciso lembrar aqui que , este caso trata de um Processo Criminal por " Tentativa de Estupro".(Art. 213 C/C art.14 Inc. II do Código Penal). A vítima : uma mulher jóvem ainda.
 Isto mesmo, a mulher, aqui no caso a Vítima , estava no seu local de trabalho,e não quis dar atenção a um jóvem destes que anda pela rua "mamado" de alcóol e droga, e ainda por cima xingou-o de vagabundo,malandro,viciado,etc.
Este ,para "se vingar", segundo ele,tentou "agarrá-la", adentrando ao estabelecimento comercial da mesma, que no momento estava sozinha.
 Segundo a Denúncia,o acusado tentou estupar a mulher. Também assim disseram as testemunhas.
Já o   acusado  disse que só fizera  uns chingamentos e palavrões  e " tentou agarrar ela apenas,mas logo apareceu muita gente ", disse ele.
Ou seja, impediram  o "ato", na "hora H".
Ou melhor, o cidadão ameaçou,agrarrou e gesticulou,mas não fez nada. Isso segundo ele.
Foi preso assim mesmo !
 Ele tentou,ficou na vontade e acabou preso. Segundo a lei,cometeu um crime. Afinal é um ato criminoso, e mesmo apenas na Tentativa, é um Constrangimento  e tenta contra a integridade física da pessoa. É um crime contra a dignidade sexual.
Obviamente que a mulher se defendeu,estava no seu local de trabalho,era de dia e a rua estava bem movimentada. Não seria possível ele conseguir seu objetivo...Afinal tinha muita gente circulando na rua,que era uma avenida comercial.
Preso, o rapaz deu sua versão à delegada (delegacia de mulheres) , e nesta ocasião já houve uma certa graça,pois enquanto as testemunhas garantem  que o acusado pôs o bilau para fora da calça,ele alega que não. ...que não deu tempo !
Inclusive, por que ficou "atracado" com a mulher,que era forte,e ele drogado,faminto e  franzino...
 -." Não daria conta mesmo, dona Delegada " .Ele disse
E pegaram ,levaram  para o presídio ,para aguardar o Julgamento.Após as fases processuais , acabou por aparecer na frente do Juiz. Na hora marcada,óbviamente.
Quem conhece as perguntas no Interrogatório sabe que existe uma específica e que é feita em todos os processos criminais, normalmente é a 6ª pergunta, que é feita diretamente ao acusado(réu),cujo texto é o seguinte :
: "  Se o acusado conhece o instrumento em que foi praticada a infração(delito),ou qualquer dos objetos que com esta se relacione e tenha sido apreendida ?"
O MM.Juiz,acho que já cansado de fazer tantas audiências, apesar de estar diante de um caso de Tentativa de Estupro,fez esta 6ª Pergunta ao Acusado.
Pois muito bem, foi feita esta pergunta ao acusado,um cidadão jóvem,sem muito estudo e ainda por cima meio "machucado" pela vida,por causa da vida sofrida, ja que vivia nas ruas,usando substâncias quimicas. Agora está preso. E nesta ocasião ,que aqui conto,estava presente na Audiência,frente ao MM.Juiz.
Este acusado,óbviamente não entendeu bem a pergunta. E com os olhos assustados,em vez de responder,questionou o Juiz :
- "Como é que  é  Dr.? ,o Sr. pode repetir a pergunta ?"
O Juiz falou ,simplificando os termos: " O Sr. conhece o instrumento em que foi praticada a infração, ou seja no qual o Sr. pretendeu ou praticou o delito ? E  qualquer dos objetos que com esta se relacione ou foram apreendidas ?
Aí o Advogado interveio.
Ora Meritíssimo, "data maxima vênia",o Sr. há de convir que o Crime é de estupro ou melhor, tentativa de estupro,conforme vai ser decidido! ? E aí o instrumento em que foi praticada a Infração seria a mulher ? Ou se fosse o Estupro seria a .. ...... da mulher ! E esta seria apreendida? Não tem sentido MM Juiz ?
O Juiz,acostumado a estas  intervenções de advogados,disse, sem se sentir afetado: e querendo se "sair bem":
-Dr! quero ouvir a resposta do Réu ! Parece que o Sr. não conhece esta pergunta ? Este é o Interrogatório do RÉU.  O  SR. ESQUECEU ?
Ora, se era para dizer, o acusado falou que ia responder, e aí parece que ele já tinha "entendido" o teor da pergunta.
 E então,com a sua voz rouca disse:
-"Oi aí  Seo Dr.Juiz" se esse "instrumento" aí  c'o sinhô tá falando é o Bilau ?   E continuou :
- "O   meu Bilau,então eu o conheço sim. Pego nele todos os dias. Tem dias,quando bebo muito,que eu pego nele várias vezes,tiro para fora da calça e fico parado ,encostado no muro,fazendo xixi....é uma felicidade !"
E o Meritíssimo Juiz,querendo "consertar" as coisas ,ou até mesmo  rir,porém segurando o riso,observava a Escrivã , o Promotor e o  Advogado rindo baixinho (se isso é possível).
Mas ele refez a pergunta e mudou um pouco o termo. E " foi "ao que realmente interessava.
-O Sr. tirou então o Bilau....Mostrou o Bilau ou encostou o Bilau na Vítima ?
Ao que o Réu respondeu firme,sério :
- "Não Sr. Não tirei, não ! Não pude, não deu tempo ,mas tive vontade. Falei que ia fazer sexo com a "muié",só de raiva,mas não fiz não "seo" Dr. Juiz.... Mas  que  o Bilau tava ficando animado isso tava "
..... E num espaço pequeno de silêncio ,completou,"chegou gente, não  deu tempo Dr. Juiz ! Completou ele.
O Juiz, quase rindo, perguntou (fora do termo de interrogatório),
 - Por quê o Sr. agiu assim?
O acusado respondeu :
-" Ói "seo" Dr. .fiz isto porque sou viciado e fui humilhado. Eu queria apenas uma ajuda E por vingança e por causa dos "gorós", já que eu tava "mamado",ataquei a dona, a "muié"....Acabei apanhando das pessoas que me "entregaram" para os "puliça" ,disse ele...olhando firme para o Juiz.
Na verdade,conforme depoimento da Vítima, ela nem chegou a ficar sem roupa. Estava bem vestida e era forte.
 É uma  mulher  forte,aliás e que disse no seu depoimento, que "   enquanto o acusado tentava tirar sua roupa e  queria  "encostar" as "coisas"  nela , ela, com força tentava se desvencilhar dele,enquanto ele tentava estuprá-la  "  Disse a "moça".
Na verdade uma mulher de mais de trinta anos. Obviamente, não tão ingênua,mas em situação de medo,perigo...
.-Resumiu ela  : 
_ "Chegou gente mesmo, Dr, a turma do "deixa disso" e então  "pegaram o cara"....esse  viciado-tarado ! "
Assim,após mais umas conversas e perguntas, o MM.Juiz ainda deu uns conselhos para o réu,muito jovem,morador de rua e viciado. Perguntou a ele se ele não queria ser internado em uma clínica para tratamento,se viesse a ser absolvido. 
Deixou o réu à vontade para responder. 
 E  ele falou:
- Ah "Seo" Dr. sei não, minha vida é essa mesmo. Não tenho instrução,vou catar papelão na rua ,talvez. Mas não vou deixar a droga não sinhô. É a única coisa que ainda tá me fazendo viver."..completou.
O Promotor, que sempre pede a condenação,nestes casos,falou baixinho comentando com o Advogado do Réu:
 -" É mais uma vítima da sociedade,  enveredando pelo mundo do crime.... ! É uma vida malvada.!"...
-"É... respondeu o advogado... "É desajustado  e  também vítima da própria sorte! "
O MM.Juiz encerrou a Audiência, e o réu voltou para a prisão. O Juiz sempre  tem alguns dias para decidir.
 E  no Questionário do Interrogatório do Réu,mandou a Escrivã escrever a resposta à  6ª questão apenas com uma palavra : "Prejudicada".
E todos foram para a próxima Audiência,ou para seus outros afazeres,com mais esta estória de nossa vida cotidiana...
Dessa nossa vida malvada,também!
-Que seria cômica,se não fosse trágica,digo eu.
.....................................
Este conto fará parte do meu 11º Livro : "Crônicas da Vida Real" a ser publicado em julho de 2017.
Texto original de A.L.G.- Reedição junho de 2017